Troca de Ideias com uma amiga
10 de Agosto de 2007
Não sei por que pergunta se acho atrevimento de sua parte propor fazermos uma deliciosa troca de experiências e de ideias, num mundo nosso tão tolo, vazio, inodoro e desinteressado da própria vida.
Eu gostaria muito de continuar ?conversando? via e-mail e pessoalmente. Necessito mesmo de ter com quem trocar ideias, pois há alguns poucos anos vem se acentuando um rompimento meu com minha maneira de pensar e mesmo de ser. A falta de dogmas, de deuses, de ideologias, de sábios, a falta sei lá do que mais provoca grande desespero e solidão.
Mas tornou-se impossível o retorno. O anseio de encontrar ?algo? que explique, justifique, valide o mundo humano torna-se enorme, e daí a compulsividade pela leitura para ver se acontece um encontro.
Mesmo com minha vida tensa de executivo, li porque sempre gostei de ler, ainda que sem me deter na substância e também por minha formação maniqueísta, sem capacidade de crítica. Agora que estou realmente lendo, desmoronam-se mitos, crenças, quase tudo.
Entendo que John Gray, grande pensador inglês da atualidade, prega o desmoronamento desse passado que nos fez o que somos, sem nos dar sequer esperança, sem apontar caminhos, deixando-nos desamparados e sós, como deveríamos ser, o self, e o que existe ao redor, outros humanos e a natureza, num planeta pequeno, na imensidão do universo.
Não me acho um pessimista, menos ainda um niilista, mas encontro grande dificuldade no afastamento da utopia, e sei que por ela não se encontra o ?algo?.
Tenho me dedicado ao estudo do Poder. Nele, vemos a prática das maiores infâmias da história. Se há o mal, o maligno, o sombrio, o ?satã?, é no Poder que estão localizados. Acho que a busca do ?algo? começa na anatomia e autópsia do Poder.
O poder deve fazer o bem, mas faz o mal na maioria das vezes, porquê?
E ainda restam muito mais elucubrações...