O Ter e o não Ter
11 de dezembro de 2008
Qual a maior dúvida na existência?
As relações entre os que têm e os que não têm necessitam de reflexões mais profundas. São questões que envolvem direitos, justiça, ética, egoísmo, altruísmo, cobiça, inveja, poder ? enfim, algumas das emoções mais fortes que permeiam as relações humanas.
No Ter pode residir toda a problemática do bem e do mal.
Antes do Ter há o como adquirir e o problema ético disso derivado. Como foi adquirido e como se dá o uso do bem adquirido?
A dualidade Bem e Mal está permeada pelo Ter.
?Bem-aventurados os pobres de Espírito, porque deles será o Reino dos Céus.?
É rotineiro atribuir-se o Mal aos que possuem e o Bem aos desprovidos.
Como igualar desiguais? A Justiça diz que os iguais merecem o igual; os desiguais, não. Discriminar, cometer injustiça é tratar iguais como desiguais e desiguais como iguais. O que é ser igual? Como fazer justiça?
Somos totalmente diferentes uns dos outros e, portanto, não podemos receber tratamento igual. Mas como suportar nossas desigualdades? Há uma tendência brutal para igualar desiguais, não importa o preço a ser pago. Esse procedimento gera um grave problema de justiça. Aquele que trabalhou acumulou, mas quem não trabalhou quer usufruir o acúmulo do outro. Existem inúmeras alegações válidas e não pertinentes para a demanda desse direito. Não nasceu igual, não teve as mesmas oportunidades, é menos inteligente, menos capaz, é mais fraco, não enxerga bem, etc. Como resolver essas desigualdades que vieram com a vida?
Dizem uns, pela caridade. Isso pode funcionar para o mais próximo, e para o mais distante como, por exemplo, o aidético da África, o pária da Índia, o nordestino do sertão do Piauí?
A compensação das desigualdades é infinita. Não conhece limites; não há como expor os milhões de casos de desigualdades existentes entre os homens.
Procurou-se deslocar este problema para o mágico, para outro mundo, para outra reencarnação.
Como fazer diferente?