Perplexidade
11 de abril de 1999, à 1h30
Concurso MASP - foto vencedora, autoria de Paulo Egydio
Av. Amarilis, 11 de abril de 1999, à 1h30
Que fim de século mais miserável! Que século mais miserável!
Que história humana mais miserável!
Nazismo, comunismo. I Guerra Mundial. II Guerra Mundial. Armas atômicas, genocídios, guerras de etnias, de religiões, de ideologias, guerra pelo poder econômico, pelo poder religioso, guerra de facções, guerra pelo poder pessoal.
Guerra de deuses!
Cristãos católicos irlandeses contra protestantes; judeus contra maometanos, contra budistas, contra, contra, contra...
?Deus? contra Jeová, contra Maomé, contra Buda, contra Cristo.
Que brutal insanidade. Como falar de amor, de religião, de verdade, de fé, de revelação, se não somos capazes de pôr um paradeiro nesta loucura desenfreada?
Que maldito vírus do espírito destrói toda possibilidade de amor e torna o humano tão repugnante? Como o humanismo pode atuar em prol da paz, da concórdia, da harmonia e tolerância entre os homens?
Estamos há séculos filosofando para explicar o inexplicável. Doutrinas, ideologias, teologias, sem nenhum resultado concreto para o ato simples de conviver.
Qual sentido em buscar o sentido da vida e da morte, o imanente, o transcendente, sem voltar os olhos para a insensatez que impera a cada dia com maior força nas sociedades humanas, gerando doenças e desequilíbrios de toda sorte?
Não é possível admitir-se a violência, mas ela coexiste com a vida.
Guerras insanas, lutas entre etnias, existência sem sentido, sem cidadania, sem esperança, sem porvir.
Igualdade, Liberdade, Fraternidade.
Quantas vidas sacrificadas por esses ideais e que poucos resultados colhidos.
Vivemos nos cercando de um cinismo que supera qualquer loucura humana.
Cada um ? indivíduo, grupo ou facção ? quer impor a supremacia de sua resposta para a desgraça humana, na sanha de fazer valer o seu desvario.
Verdades não nos faltam. Deuses e religiões não nos faltam. Doutrinas não nos faltam. Todos redentores. Em que ponto da trajetória humana perdemos, se é que um dia tivemos, a capacidade simples de coexistir em paz com nosso semelhante?