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Paulo Egydio conta


Paulo Egydio Martins abriu a alma e sua prodigiosa memória para as pesquisadoras do CPDOC, o Centro de Documentação da Fundação Getúlio Vargas. Paulo Egydio conta é resultado deste esforço.

Paulo Egydio sempre se considerou um democrata. Conspirador de primeira hora do Movimento de 64, várias vezes cutucou com vara curta os generais da linha-dura, mas durante esses depoimentos se perguntava por que continuou a participar de um movimento que traía os ideais pelos quais lutara. A liberdade e a democracia.

Paulo Egydio reviveu o duro embate entre o presidente Geisel e o comandante do II Exército, General Ednardo D′Ávila Mello, quando sofreu pressões violentas e tentativas de desestabilização de seu governo. Ministro da Indústria e Comércio de Castelo Branco, ao assumir anos depois o Governo de São Paulo, defrontou-se com as mortes do diretor da TV Cultura, Vladimir Herzog, e o operário Manuel Fiel Filho, assassinados no DOI-CODI, órgão de repressão, vinculado ao II Exército.

Paulo Egydio destrói estereótipos ao relatar seu desentendimento com o arcebispo de São Paulo, D. Evaristo Arns, e apresenta faceta inesperada do temido coronel Erasmo Dias, seu secretário de Segurança. Entre suas atitudes controversas, deu posse, em 1975, ao presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Luiz Inácio da Silva, para prestigiar um sindicato profissional.

A iniciação política de Paulo Egydio se dá na Escola de Engenharia do Rio, a partir de sua formação marcada pela influência positivista do avô, de quem herdou a visão de patriotismo e o respeito ao bem público.

O interesse destas memórias ultrapassa a política. São histórias de um homem que transitou por vários mundos e não se esqueceu de desfrutar a vida. Político, empresário, desbravador de terras, fazendeiro, esportista, negociador internacional e banqueiro. Conviveu com barões de negócios americanos e dirigentes da antiga União Soviética. E volta para casa feliz com o prêmio de seu touro nelore mocho ou o lombo de um marlim, especialmente defumado para ele. "Isto sim, refresca a alma."

Renée Castelo Branco

 

 

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