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Eric Hobsbawm - Globalisation, democracy and terrorism
Capa do livro extraída do website Amazon.com

A história do século XX é aterradora como uma era de brutal mortandade (1). As duas Grandes Guerras Mundiais, a de 1914-1918 e a de 1939-1945, são pontos de marcante mudança.

 Na I Grande Guerra, morreram mais combatentes nas frentes de batalha do que civis nas cidades. Na II Grande Guerra houve uma mudança no tipo de mortandade: a quantidade de civis mortos quase alcançou o número de combatentes tombados. Agora, depois de finda a Guerra Fria e da queda do muro de Berlin, a mudança ganha proporções ainda maiores: estão morrendo muito mais civis do que combatentes e a tendência, devido ao avanço da tecnologia, é aumentar muito essa proporção de mortos civis. Isto já ocorreu na Guerra da Bósnia, e ocorre de maneira ainda mais acentuada na Guerra do Iraque. Já se publicam notícias de avanços tecnológicos em que os combatentes serão robôs comandados por computador onde o teatro do combate é transmitido à tela por satélites.

O que Hobsbawm nos mostra com grande perspicácia é a evolução da violência onde os conceitos clássicos de Estado-Nação, territórios, declarações de guerra, rendição incondicional e outros métodos usados em conflitos estão superados nesta nossa era. Novamente o Iraque é o exemplo mais claro desta mudança.

Lamentavelmente, Hobsbawm não nos induz à esperança de uma redução dessa violência desumana; pelo contrário, com enorme lucidez indica que o nosso século XXI será uma era de grande violência tanto militar quanto na nova modalidade de guerra, a que se passa no campo da economia e finanças. A globalização nos traz conflitos entre nações que podem nos levar a uma grande recessão mundial.

Este assunto merece um comentário especifico, em outra ocasião, especialmente após a crise dos subprimes.



([1]) mortandade (Houaiss): massacre de homens e/ou animais em grande número; matança, carnificina, mortalidade, morticínio, chacina.

 

 



 

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